domingo, 6 de setembro de 2009

Há quanto tempo mesmo,Setembro?

figura: J. Carlos (1884 - 1950) A conversa. Desenho a nanquim

Acordei e..

tela:Orlando Teruz

Uma menina cega
(já nascida cega)
me "olha"
e como uma mini bailarina
certa,rodopiante
responde-me uma pergunta por escrito
e me entrega a folha.
Qual o seu desejo?
perguntei sem muito otimismo
com nenhuma excitação
"quero lavar roupa
quero cortar tomate,
quero ser mãe."
e o inesperado desejo
me acelerou a pulsação.
E um menino também sem vista,
sem luz alguma nos olhos
girando ao redor de si mesmo
pra arrancar minha alma
pra acabar com minha sanidade mental:
"eu quero dirigir e ter uma tv"
disse ter por sonho.
Eu não via mais..
não podia
O tempo parecia não ter pressa nem valia
meus olhos já não tinham mais tanta cor
meu relógio atrasou um dia
e o que sempre entendi por "forte"
fraquejou..

futuro do indicativo

um laço grande de fita
um cestinho cheio de fraldas
cheiro de rosa quando acorda
um som suave como de um piano
um piano de caldas.
um rostinho de passarinho
debaixo do tule branco,
um passarinho pequeno
ainda sem asa..
Silêncio!
pise devagar
há um bebê dormindo na casa.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Conselhinho

Graça,te decide quando quiseres
não tenha medo de cautelar
todo idiota é convicto,gracinha
nunca vi um imbecil hesitar
Setembro,
há quanto tempo?
ja nem me lembro..

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Inverno "do meu tempo"

imagem:Gregory Crewdson

garganta no frio fica frágil
tão fraca..
friável de doer
pior ficaria se chovesse mais
e viesse mais dor trazer.
coração no frio bate a falta
com uma dor que "dorifica"
sem temer]
e a saudade se confunde
com a vontade fúnebre
de ficar longe
(esquecer)

terça-feira, 1 de setembro de 2009

poema pra se ler dormindo.

"Cuidado com a chuva!"
______disse o avô bem velhinho.
nunca cai a mesma chuva
_______________mas vem molhar sempre
______o mesmo lugar,de-va-gar-zi-nho.
__"a água é igual! a água é igual!"
lê-se:toda água é incolor embora não seja a mesma
Cuidado,cuidado!
_________quando chove demais o coração fic'alagado.. sempre! repetidamente re-pe-ti-di-nho.

Ninguém ouve.